30/07/2025
Nota do Movimento Cívico Bloco de Resistência Leste
O Movimento Cívico Bloco de Resistência Leste manifesta profunda preocupação com os recentes episódios de violência e vandalismo registados em Luanda, na sequência da paralisação convocada pela Associação Nacional dos Taxistas de Angola (ANATA). Reconhecemos que a indignação expressa nas ruas reflecte um grito de desespero de um povo que enfrenta dificuldades extremas, agravadas por décadas de má gestão dos recursos públicos, fome e exclusão social.
A fome e a precariedade empurram as pessoas para actos de desespero, mas apelamos à calma, à serenidade e ao civismo. A violência e a destruição não são o caminho para a resolução dos problemas estruturais que afectam Angola. Condenamos os actos de vandalismo, mas exigimos, com igual veemência, que se condene o vandalismo económico e político que há 50 anos perpetua a desigualdade e o sofrimento do povo angolano.
Instamos o Governo, liderado pelo MPLA, a abrir imediatamente um espaço de diálogo inclusivo com todas as partes, taxistas, sociedade civil e oposição, para abordar as causas profundas desta crise, incluindo o impacto da retirada dos subsídios aos combustíveis e o aumento do custo de vida. À comunidade internacional e à União Africana, pedimos que acompanhem de perto a situação e pressionem por soluções pacíficas que respeitem os direitos humanos e a dignidade do povo angolano.
Não queremos repetir tragédias como a do 27 de maio de 1977 ou outros episódios de violência. A repressão, as detenções e as mortes não silenciarão a voz de um povo faminto e exausto. É tempo de reflexão, de responsabilidade e de ação concertada para construir uma Angola mais justa e próspera.
Apelamos a todos os cidadãos para que mantenham a calma, evitem a violência e unam-se na busca de soluções pacíficas e construtivas. A nossa luta é pela dignidade, pela justiça e pelo bem-estar colectivo.
Pelo Movimento Cívico Bloco de Resistência Leste
Luanda, 30 de julho de 2025