08/06/2026
⚡ Em 1969, um acontecimento insólito chamou a atenção da opinião pública nos Estados Unidos. Um raio atingiu e destruiu completamente a residência de Betty Penrose, no estado do Arizona. Inconformada com a tragédia e com os prejuízos sofridos, Betty tomou uma decisão inédita: responsabilizar Deus pelo sucedido e avançar com uma ação judicial por alegada “negligência divina e descuido”.
⚖️ O seu advogado sustentou a ação com um argumento teológico e filosófico bastante peculiar. Defendeu que, se Deus é considerado o criador e soberano do universo, detendo controlo absoluto sobre as forças da natureza, então seria igualmente responsável pelos fenómenos climáticos, incluindo o raio que destruiu a habitação da sua cliente. Nesta perspetiva, o acontecimento não poderia ser encarado como um simples acidente, mas sim como uma ação ocorrida sob a autoridade divina.
📑 O processo foi instaurado com um pedido de indemnização no valor de 100 mil dólares. O tribunal aceitou analisar o caso e deu seguimento aos trâmites legais. Contudo, como seria de esperar, o réu nunca compareceu perante a justiça. Durante todo o julgamento, a cadeira destinada ao acusado permaneceu vazia e nenhuma entidade ou representante se apresentou para contestar as acusações formuladas por Betty Penrose.
👨⚖️ Perante a ausência de defesa, o juiz viu-se obrigado a aplicar os princípios processuais em vigor e declarou o réu em revelia, ou seja, considerou que não houve contestação às alegações apresentadas. Dessa forma, Betty obteve uma decisão judicial favorável, tornando-se protagonista de um dos episódios mais curiosos da história dos tribunais norte-americanos.
🤷 No entanto, a vitória revelou-se apenas simbólica. Apesar da sentença favorável, a execução da decisão era praticamente impossível. As autoridades não conseguiram localizar qualquer património, conta bancária ou bem material pertencente a Deus que pudesse ser penhorado para satisfazer a indemnização determinada pelo tribunal.
🏛️ Assim, Betty Penrose ficou sem a compensação financeira pretendida e continuou a enfrentar as consequências da destruição da sua casa. Ainda assim, o caso entrou para a história como um dos processos judiciais mais invulgares de sempre, conferindo-lhe um lugar singular: o de ser apontada como a única pessoa que, pelo menos do ponto de vista jurídico, conseguiu vencer um processo contra Deus.