26/08/2023
“Não desista fácil nem insista para sempre.”
8 anos: não desisti facilmente, mas decidi não insistir para sempre.
Eu estudei, preparei-me a contento e viajei, por alguns estados do Brasil, prestando o concurso para a magistratura do trabalho, por 8 anos.
Não passei, embora houvesse avanços. Eram quatro fases, e as derrotas me traziam de volta à estaca zero, com a crueldade de um tapa na cara, geralmente, em um voo de volta pra casa, que parecia rodar o mapa brasileiro até aterrissar em João Pessoa.
Uma prova objetiva, na capital de São Paulo, vestiu-se da não insistência para sempre. Acertei 79 questões, antes de anulações e recursos, mas, mesmo assim, os quase 80% de êxito não me levariam a segunda fase do certame. Foi o fim. Deu. Fim de linha! Não queira mais nada daquilo.
A trilha do estudo para concursos havia recebido o melhor de mim, por muito tempo. Àquela altura, entretanto, eu pagava um preço alto demais, Henrique era um menino de pouco mais de 2 anos, e estar longe dele machucava meu coração.
Desisti de tentar ser juíza do trabalho. Queria estar em casa, em João Pessoa.
Aliviei meus ombros de um peso, bem como minha alma de uma conquista que insistia em não chegar. Eu não precisava daquele título, para atuar na área que ocupava meu coração.
Reconheci em mim a melhor advogada trabalhista que pudesse ser, porque, para aquela imensa bagagem disciplinada, organizada e dedicada, havia espaço também na advocacia.
Apareci. Mostrei-me como advogada trabalhista. Defini uma subárea de atuação. Conquistei o respeito dos colegas.
Fiquei em casa. Construí minha família.
Hoje, sigo equilibrando pratos, é bem verdade, mas há sabor de conquista também.
Vivo um tempo de encantamento, de busca por voos mais altos.
É tempo de luta diária, de estudo, de prestar atenção à nova legislação, de seguir lendo os clássicos, de fazer tudo isso com o pensamento nos filhos, na lista da feira, sem saber se o gás acabou.
Desisti mesmo do concurso público, mas conquistei a minha liberdade. Sigo sendo advogada trabalhista, segura, decidida, comprometida, sempre sentindo “a dor e as delícias de ser o que sou.”