10/10/2024
Sobre o ódio eleitoral.
Tenho acompanhado com muita tristeza a disseminação do ódio eleitoral, numa luta desenfreada de algumas pessoas para odiarem mais determinados partidos políticos em detrimento de outros. O que se vê por estes dias é um autêntico contrassenso, democraticamente falando.
O ódio não precisa ser unânime, assim como também não precisa ser a simpatia. Cada um acredita em determinados valores, e com certeza serve determinados interesses.
A política é definida como a busca, manutenção e utilização do poder em qualquer organização, seja ela um governo, uma instituição ou até grupos sociais. Política é o processo pelo qual indivíduos ou grupos competem pelo controle ou influência sobre decisões que afetam uma comunidade ou um país. Neste sentido, é natural que cada um use dos meios que estiverem ao seu dispor para atingir, manter ou utilizar esse poder. Não nos enganemos, não existem santos na política.
Mas enfim, o meu ponto hoje é o seguinte: não pode ser democracia apenas quando a minha vontade é acautelada, aí é ditadura. E bem ou mal, existem eleitores suficientes para todos os partidos, não é como se aquele partido não tivesse simpatizantes. Agora, não pode ser o simples facto de existirem pessoas que não concordam ou simpatizam com esse mesmo partido que as outras devem ser ignoradas.
Repito, o ódio não pode ser unânime, assim como o amor. A democracia pressupõe essa diversidade, mas chamar malucos os que apoiam um ou outro partido é injustiça e intolerância política, que também é errada. Pode não concordar, mas respeite, assim como queres que respeitem a tua escolha.
O país votou? É claro que o país votou, mas quem é o país? É uma pessoa? Não. O país são as várias pessoas que votaram, que se abstiveram, que preencheram mal os boletins de voto por isso os mesmos foram anulados, o país somos todos nós com as nossas diferenças, e em democracia, a corrente derrotada (não errada e nem certa) deve se conformar com o resultado.
Vamos ser verdadeiramente democráticos e evitar o ódio. De tanto se focar no ódio, o ser humano acaba se transformando no que pretende combater.
"Quem luta com monstros deve velar para que não se torne também um monstro. E, se tu olhares durante muito tempo para um abismo, o abismo também olha para dentro de ti." - Friedrich Nietzsche.