Gerontologia e Direito

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PRECONCEITO ETÁRIOPérola Melissa Vianna Braga Li uma reportagem que destacava: “Idoso preso por pedofilia”. Se o investi...
30/01/2022

PRECONCEITO ETÁRIO

Pérola Melissa Vianna Braga

Li uma reportagem que destacava: “Idoso preso por pedofilia”. Se o investigado tivesse 20 anos estaria escrito “jovem adulto preso por pedofilia”? Isso seria manchete? Por que o fato do investigado e possível criminoso ser idoso é motivo de destaque no título da matéria? Talvez porque ainda esquecemos ou não reconhecemos que idosos são pessoas! Pessoas podem boas ou más, podem ser criminosas ou corretas e a idade não tem conexão direta com isso! Idosos “de cabelinhos brancos” não são santos! São gente! E têm defeitos e característica de gente!
O preconceito da idade, chamado também de ageísmo, etarismo ou idadismo é o movimento de estereotipar as pessoas idosas (ter uma imagem ou conceito preconcebido e genérico): “todo o idoso gosta de aparecer”, “todo idoso é teimoso”, “todo idoso é bonzinho”, “todo idoso é doente” ou ainda “que ridículo idoso casar-se”, “que obsceno idoso namorar”, “o tempo dos idosos já passou”, “quem gosta de velho é museu”... E assim por diante.
Ninguém deve ter rótulos! Cada pessoa é única. Idosos não devem ser rotulados de bonzinhos, fofinhos (ou outros “inhos”), assim como não devem ser rotulados de fracos, lentos, incapazes, assexuados ou senis. Ninguém é genérico e justamente por isso todo envelhecimento é personalíssimo, ou seja, individual e singular.
Quando o jornalismo destaca que “um idoso” foi preso por pedofilia é como se isso fosse impossível que isso acontecesse. A mensagem é: “Nossa, um idoso fazendo isso? Que absurdo! Quem iria imaginar?”. Ora essa! É um homem! E poderia ser uma mulher! Nem todo pedófilo é homem! E é um crime horroroso! Se o(a) possível criminoso(a) tem 30, 40 ou 80, isso não muda em nada a conduta típica, e devemos ensinar nossas crianças a nunca frequentar casas de estranhos, sejam homens ou mulheres (de qualquer idade).
Enfim, preconceito é preconceito! Supor que toda pessoa idosa é gentil e inofensiva é tão errado como generalizar que todos os 60+ são decrépitos, doentes, incapazes, desatualizados e fracos ou dependentes.
Idosos são pessoas! Reconhecer isso será uma grande evolução social!

O VALOR DOS APOSENTADOS                          Pérola Melissa Vianna Braga Hoje é o Dia Nacional dos Aposentados! Esta...
24/01/2022

O VALOR DOS APOSENTADOS

Pérola Melissa Vianna Braga

Hoje é o Dia Nacional dos Aposentados! Esta classe merece respeito e reconhecimento!

A renda dos aposentados (a maioria idosos) é fundamental para a manutenção de suas famílias. São filhos, netos e agregados vivendo e dependendo deste recurso.

De acordo com o IBGE, desde 2016 há uma tendência de que a PRINCIPAL fonte oficial de renda nos domicílios brasileiros seja de aposentados e segundo uma pesquisa da Fundação Getúlio Vargas os idosos aposentados são as pessoas de referência ou os chefes de família de 19,3% dos domicílios brasileiros. Na relação que ocupam com a pessoa de referência da casa, eles são 91,5% dos avós, 69% dos sogros ou sogras e 61,2% dos pais ou mães.

Os aposentados não sustentam ou auxiliam na sobrevivência financeira "apenas" de suas famílias. Eles movimentam nossa economia!
E essa realidade é ainda mais importante em tempos de pandemia. As aposentadorias se tornaram determinantes na vida econômica de 64% das cidades brasileiras. Nelas, os pagamentos da Previdência Social somam um volume de recursos muito superior ao que chega às prefeituras por meio do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), uma das formas consagradas na Constituição Federal para a repartição das receitas tributárias. E em algumas regiões, os benefícios previdenciários representam mais do que todo o montante recebido em impostos e transferências feitas pelos estados e pela União.

Chega do discurso equivocado de que "o Brasil sustenta os aposentados". Aposentadoria pressupõe contribuição previdenciária obrigatória ao longo de toda uma vida de trabalho. Não é favor, não é assistencialismo. É direito adquirido!

Atualmente são os aposentados que sustentam grande parte de suas famílias e portanto, que sustentam grande parte da sociedade brasileira e movimentam a economia do país.

Da próxima vez que você vir um aposentado buscando seu dinheiro no banco ou pagando uma conta na lotérica ou fazendo uma compra no supermercado pense que atrás dele, dependendo dele, podem existir crianças, jovens e adultos. E muito provavelmente o seu negócio ou prestação de serviços também depende dele. Olhe com mais atenção! Reflita! Reconheça!

O reconhecimento e o respeito aos aposentados precisa existir não só nos núcleos familiares, como no poder público, na economia e na sociedade.

Tal respeito vai muito além das questões econômicas e financeiras. Mais e mais é preciso reconhecer o envelhecimento e a longevidade da nossa população não como um fardo mas sim como uma possibilidade de evolução civilizatória e de justiça social.

Os aposentados podem precisar dos mais novos? Sim! Isto é um fato. Mas a relação é de codependência, pois as gerações mais novas também precisam dos longevos em vários aspectos.

Precisamos perceber que se trata de um movimento de RECIPROCIDADE. Cuidamos e somos cuidados. Sustentamos e somos sustentados. Assistimos e somos assistidos.

A força e a importância dos aposentados (e pensionistas) envolve desde de a micro-sociedade familiar até o sustentáculo econômico de cidades e macrorregiões brasileiras. Fora os aspectos culturais, emocionais e históricos tão valiosos nas relações multigeracionais!

28 anos da Política Nacional do Idoso                        Pérola Melissa Vianna BragaA Política Nacional do Idoso,  e...
04/01/2022

28 anos da Política Nacional do Idoso

Pérola Melissa Vianna Braga

A Política Nacional do Idoso, estabelecida pela Lei 8.842 passou a vigorar em 04/01/1994, portanto hoje comemora 28 anos.

A PNI tem por finalidade assegurar os direitos sociais das pessoas idosas, criando condições para promover sua autonomia, integração e participação efetiva na sociedade (artigo 1º ).

Em seu artigo 2º a PNI estabelece o critério etário de 60 anos para a proteção social de que trata a referida lei. Portanto, no Brasil, idoso é aquele que tem 60 anos ou mais.

Mas o que é uma “Política Nacional”? Uma lei federal quando intitulada de Política Nacional significa um COMPROMISSO governamental, ou seja, um conjunto de iniciativas e medidas a que o poder público se compromete a cumprir.

A Política Nacional do Idoso tem os seguintes princípios:
Art. 3° A política nacional do idoso reger-se-á pelos seguintes princípios:
I - a família, a sociedade e o estado têm o dever de assegurar ao idoso todos os direitos da cidadania, garantindo sua participação na comunidade, defendendo sua dignidade, bem-estar e o direito à vida;
II - o processo de envelhecimento diz respeito à sociedade em geral, devendo ser objeto de conhecimento e informação para todos;
III - o idoso não deve sofrer discriminação de qualquer natureza;
IV - o idoso deve ser o principal agente e o destinatário das transformações a serem efetivadas através desta política;
V - as diferenças econômicas, sociais, regionais e, particularmente, as contradições entre o meio rural e o urbano do Brasil deverão ser observadas pelos poderes públicos e pela sociedade em geral, na aplicação desta lei.

E as seguintes diretrizes:
Art. 4º Constituem diretrizes da política nacional do idoso:
I - viabilização de formas alternativas de participação, ocupação e convívio do idoso, que proporcionem sua integração às demais gerações;
II - participação do idoso, através de suas organizações representativas, na formulação, implementação e avaliação das políticas, planos, programas e projetos a serem desenvolvidos;
III - priorização do atendimento ao idoso através de suas próprias famílias, em detrimento do atendimento asilar, à exceção dos idosos que não possuam condições que garantam sua própria sobrevivência;
IV - descentralização político-administrativa;
V - capacitação e reciclagem dos recursos humanos nas áreas de geriatria e gerontologia e na prestação de serviços;
VI - implementação de sistema de informações que permita a divulgação da política, dos serviços oferecidos, dos planos, programas e projetos em cada nível de governo;
VII - estabelecimento de mecanismos que favoreçam a divulgação de informações de caráter educativo sobre os aspectos biopsicossociais do envelhecimento;
VIII - priorização do atendimento ao idoso em órgãos públicos e privados prestadores de serviços, quando desabrigados e sem família;
IX - apoio a estudos e pesquisas sobre as questões relativas ao envelhecimento.
Parágrafo único. É vedada a permanência de portadores de doenças que necessitem de assistência médica ou de enfermagem permanente em instituições asilares de caráter social.

Só os princípios e diretrizes deste compromisso público do Brasil com as pessoas idosas já são um universo em que cada item poderia virar um artigo único. Mas meu objetivo é ressaltar os 28 anos de existência da lei e sua significância.

O Brasil tem um robusto conjunto de leis que tratam do envelhecimento. Política Nacional do Idoso, Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa, Estatuto do Idoso, Código Penal, além da própria Constituição Federal.

No esteio da PNI foram elaboradas as políticas estaduais e municipais do idoso e foram viabilizados os conselhos da pessoa idosa, nos três níveis de governo. E para conferir que as políticas sejam realmente efetivas e não apenas um papel esquecido, são anualmente organizadas as conferências (municipais, regionais, estaduais e nacional) de Direitos da Pessoa Idosa. Por essa razão critico as conferências com seus complexos eixos de discussão, cujos nomes tão difíceis afastam os delegados de sua primorosa função de conferir (e não discutir) o que as prefeituras, estados e união realmente têm feito em prol da pessoa 60+.

Assim, os conselhos municipais de direitos da pessoa idosa têm a função de acompanhar e fiscalizar a aplicação e a efetivação da Política Nacional do Idoso no âmbito municipal, assim como são fiscais das políticas municipais e estaduais que não podem contrariar a nacional.

Dentre os princípios destaco o contido no inciso II:
“II - o processo de envelhecimento diz respeito à sociedade em geral, devendo ser objeto de conhecimento e informação para todos;".

E dentre as diretrizes ressalto a contida no inciso VII:
“VII - estabelecimento de mecanismos que favoreçam a divulgação de informações de caráter educativo sobre os aspectos biopsicossociais do envelhecimento;”.

Sem falar em todo o complexo de compromissos feitos pelo poder público e contidos na PNI (que merece uma leitura completa!), é relevante entender esses dois elementos: o princípio de que o envelhecimento é um processo que diz respeito à todos nós devendo ser de conhecimento geral e a diretriz que trata da necessidade de educar a população sobre este processo e seus aspectos biológicos, psicológicos e sociais.

Isto têm acontecido? Existe realmente uma orientação educativa para que a população compreenda o envelhecimento, suas características e demandas? Não.

Em 28 anos isto ainda não ocorreu. Se tivesse ocorrido, os idosos não seriam tão violados por suas famílias e eles próprios se entenderiam melhor quanto à evolução de suas velhices.

Se houvesse mais conhecimento, as pessoas idosas saberiam o poder que podem ter ao se organizar politicamente. E a sociedade seria mais justa. Não existiriam tantos discursos equivocados sobre previdência social, assistência social, direitos, deveres...

Enfim, se os direitos das pessoas idosas fossem mais conhecidos e compreendidos, e se a Política Nacional do Idoso fosse mais divulgada e aplicada, a sociedade seria mais respeitosa com os 60+, pois entenderia que maturidade não é sinônimo de decadência e que pessoas idosas fazem parte importante de qualquer civilização evoluída e devem ter visibilidade e voz.

A lei federal 8.842/94 completa 28 anos hoje! É adulta, madura, importante e poderosa!

Merece ser lida, conhecida, divulgada e defendida! Afinal, contra a ignorância e a violação de direitos, não há arma melhor que o conhecimento!

Nossos tempos                Pérola Melissa Vianna Braga Nascemos filhos! Não estamos preparados para ser pais ou para c...
27/12/2021

Nossos tempos

Pérola Melissa Vianna Braga

Nascemos filhos! Não estamos preparados para ser pais ou para cuidar!

Mas, por instinto e necessidade, aprendemos a cuidar...Os filhos nascem, mudam nossas vidas por completo, tiram absolutamente tudo do lugar, invadem nossos espaços, projetos, perspectivas, finanças e começamos a cuidar deles e quando percebemos eles já fazem parte indissolúvel de tudo em nós!

Aí, sem nenhum aviso, de um dia para o outro como num passe de mágica, nossos filhos crescem e temos que desaprender a cuidar! Temos que aprender a deixar... A separar nossas vidas das deles... Temos que dar liberdade! Eles crescem e acham que não precisam mais de nós... Talvez não precisem mesmo... Ou talvez precisem mas não percebam ainda o quanto faremos falta um dia...

Em paralelo aos filhos crescidos e nossa dor para desaprender a cuidar, surge a necessidade de aprender a cuidar de quem um dia cuidou de nós... Sim, pois no tempo que nossos filhos cresceram, também sem que percebêssemos, nossos pais envelheceram...

E nossa vida precisa passar novamente por reviravoltas, precisamos abrir espaço para cuidar dos nossos pais... Um cuidado diferente, sem nunca sair da posição de filhos, um novo e difícil aprendizado!

Talvez seja um dos mistérios da vida! O grande criador, numa engenharia perfeita, não permite que nos voltemos egoisticamente para nós mesmos por muito tempo...

É certo que simultaneamente a tudo que nos cerca, nossos filhos, nossos pais, temos que cuidar de nós mesmos, mas acredito que quando aprendemos e desaprendemos a cuidar dos outros, passamos a reconhecer que também estamos envelhecendo... E então todos esses ciclos precisam se encaixar como engrenagens...

Nossos filhos indo... Nossos pais precisando de assistência sem sair da posição de ascendentes... A nossa própria velhice acontecendo e nos mostrando a urgência de sermos felizes de verdade pois o tempo está passando para todo mundo...

De tudo, sobra a certeza de que precisamos aprender a cuidar com mais prazer (de nós e de outros) pois depois todos vão embora (de várias formas e por vários motivos...). Então queremos "o cuidar" de volta, mas não dá mais tempo!

Pós-Graduação em Gerontologa é na UNIVAP! Inscrições abertas! Informações pelos telefones 12 39471233 ou 12 39492292 de ...
14/12/2021

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29/03/2021

A Comissão de Direito do Idoso segue lutando contra o ageismo!

Situação em Portugal!
02/02/2021

Situação em Portugal!

Maioria dos internados no hospital de campanha de Portimão são idosos. Alguns, já curados, não têm para onde ir; outros são recusados pelas famílias. ...

Endereço

São José Dos Campos, SP
12244000

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