26/10/2023
TEXTO DA MINHA IRMÃ:
Pois é... Eu venci um câncer! Sim, ele perdeu! E, neste caso, quem ganhou fui eu!
Parece óbvia esta frase, mas não se engane, não é!
Não me refiro a ganhar do câncer, e sim a ganhar “com” ele!
Há os que dirão: “Que absurdo dizer isso!”
E eu direi: “É, com certeza, um lindo absurdo!”
Por menos ou mais agressiva que possa parecer ou ser, (refiro-me à frase e à neoplasia), existe algo interno e pessoal que nos faz, piegamente (com muita liberdade poética), acreditar e desacreditar; ter sentimentos contraditórios; estar e não estar; ter contentamentos descontentes; andar solitário entre a gente...
Ah Camões... Agora, Inês não é morta!! O vencer “com” ele traz Inês do fundo do túmulo no qual se encontra... e faz renascer a intensidade, vívida, com que a vida deve ser vivida!
E, concordando com Bethânia, devemos abraçar e agradecer, “a maré alta e também aquelas que levam para outros costados todos os males” até porque temos um chão que nos sustenta à beira do abismo e do susto que nos apunhala a cada dia.
Chão esse mais conhecido, no meu caso, como FAMÍLIA!!!
Vencer com ele é olhar pra minha filha, Penélope, que, antes, como na mitologia grega, durante o dia tecia meu coração com distração e alegria, mas durante a noite o fazia desmanchar por inteiro, já que ao dormir, fazia com que eu, aos prantos, pensasse que, talvez, pudesse não mais voltar, ou viver algo que ainda não havia vivido, como ocorreu com Ulisses.
Mas, assim como Ulisses, agora, eu voltei, com mais vontade de estar aqui! Por elas, por eles, por mim!
E Mário Quintana, que modéstia a minha, que me deixe parafrasear:
Embora aí estara
Atravancando meu caminho,
Passara…
Agora, eu passarinho!
Por fim, fiquem tranquilos, em resumo, como já dizia o sábio: tá tranquilo, tá favorável!
TE AMO!!!