21/08/2026
Meu nome é Dayanne Bezerra. Sou irmã da Deolane. Não escrevo como assessoria, nem como advogada, nem como adversária. Escrevo como família, e escrevo com calma, porque é assim que a gente aprendeu a responder desde o dia 21 de maio.
Li a matéria que diz que a minha irmã "tinha máquina de contar dinheiro". Queria apenas colocar ao seu lado o documento que está por trás dessa frase, porque acredito que a senhora não o leu na íntegra. E prefiro, sinceramente, acreditar nisso.
O auto de apreensão está às fls. 2.932/2.933 do processo 1500353-06.2022.8.26.0483. Qualquer pessoa confere no e-SAJ. Ele registra que a máquina foi apreendida na casa de outra pessoa, em São Paulo, "sobre o balcão da cozinha" dessa pessoa. O que ligaram à minha irmã foi uma caixinha de MDF de lembrancinha com o nome dela gravado na tampa, dessas que se distribuem aos montes em eventos, contendo R$ 7.800 em notas de dez e de vinte, no armário da pia de uma casa. A própria manifestação do Ministério Público, que a matéria reproduz, escreve: "em poder do denunciado Everton". A manchete transformou a cozinha de um terceiro em posse da minha irmã. Entre o documento e a manchete, perdeu-se exatamente a parte que a inocenta da trase.
Eu não vou pedir que a senhora goste da minha família. Não precisa. Não vou pedir que nos considere amigos, nem que torça por nós. Também não precisa. Vou pedir só uma coisa, e é uma coisa que a senhora já sabe fazer: jornalismo. Ler a folha antes do título. Perguntar à defesa antes de publicar. Distinguir o que o documento diz do que a acusação afirma. É o básico, e é tudo o que a gente pede.
Peço licença para um exercício: imagine que fosse a sua irmã.
Presa há três meses, ainda sem julgamento, sem poder responder. E cada manchete imprecisa vira uma "prova" no tribunal onde ela não tem defesa: o julgamento das pessoas. A filha dela lê. A nossa mãe lê. As notas de dez e vinte de uma cozinha alheia viram, no título, o retrato de uma "operadora do
PCC". A senhora tem o poder de escrever isso e tem, pela mesma medida, a responsabilidade pelo que escreve. dradayannebezerra Quero acreditar que foi um erro de checagem, não maldade. Erros de checagem se corrigem:
basta ler a folha e ajustar o título ou acrescentar o que falta.
Se for isso, esta carta termina aqui, em paz, e com o nosso respeito pelo seu trabalho [...]