30/05/2016
Verdades Incômodas
Pessoas, com medo da censura e do patrulhamento, evitam abordar e expor ideias sobre temas complexos, dos quais alguns grupos se apoderaram e aos quais dão interpretações ideológicas, que não guardam nenhuma relação com a realidade.
Uma das disciplinas ensinadas na faculdade de direito é a vitimologia que, resumidamente, pode ser entendida como:
1.Ramo da criminologia que estuda a personalidade das vítimas de crimes ou delitos e seu estatuto psicossocial, além dos efeitos psicológicos nelas provocados pelo crime de que foram alvo;
2.Teoria segundo a qual a(s) atitude(s) da própria vítima pode(m) motivar o crime.
O nosso ordenamento jurídico presume como estupro a relação sexual ou atos libidinosos mantidos com menor, ainda que consentidos, sob o entendimento que o menor não tem discernimento para “consentir” uma relação desta natureza.
No entanto, em 1996, em célebre julgamento no STF, o Ministro Marco Aurélio foi voto vencedor ao defender que esta presunção é relativa, e não absoluta, como era, até então, o entendimento geral.
Tratava-se de um julgamento em que o réu era acusado de estupro (presumido), por ter mantido relação sexual com uma jovem de 12 anos.
Sábia decisão.
Pesou no voto do Ministro uma série de fatores que evidenciavam o fato de que a menor tinha vida sexual ativa, e promíscua, com vários parceiros.
É uma lástima, mas é um fato.
Estamos diante de uma execrável e vergonhosa erotização precoce de crianças, promovida por emissoras de televisão em programas de discutível qualidade.
Estas verdadeiras campanhas públicas invadem os lares sem o consentimento dos pais, que sequer podem evita-las, e acabam sendo reverberadas em shows realizados em bairros, aniversários, e festinhas.
Observa-se, em mudo e criminoso silêncio, crianças usando pesadas maquiagens, fazendo gestos e movimentos que sugerem relações se***is. É óbvio que elas não sabem disto.
Está ocupando páginas de jornais e noticiários televisivos o estupro coletivo de uma menor no Rio de janeiro.
Abusa-se do termo “menor” evitando-se, de resto, o que interessa, que é discutir, seriamente, o crime de estupro.
O estupro é um crime abominável contra quaisquer pessoas: Prostitutas, mulheres honestas, menores impúberes, esposas ou namoradas.
No entanto, é uma falácia dizer que a culpa pelo estupro nunca é da vítima (verdades incômodas).
Primeiro, é preciso entender (e os psiquiatras podem confirmar isto) que o estuprador, assim como o pedófilo, o masoquista, o sá**co, não são pessoas normais como eu e você.
São pessoas com distúrbios psíquicos, que têm a sua libido ativada por eventos específicos. E é ai que entra a ciência da vitimologia.
Negar que o comportamento da vítima, voluntário ou não, “dispara” estes mecanismos psíquicos que despertam no predador seus instintos primitivos, é o mesmo que dizer que uma pessoa que entra na jaula de um leão e é devorada por ele, não teve culpa. Que a culpa é exclusivamente do leão.
Não estou me referindo, especif**amente, ao que aconteceu no Rio de Janeiro. Seria prematuro, injusto e até desonesto, já que não se sabe muito, ainda, sobre o que, de fato, aconteceu. Por outro lado, reduzir todas as conclusões ao que se vê em um vídeo, também seria imprudente.
Quero chamar a atenção é para o fato de que o crime de estupro precisa ser combatido sem hipocrisia.
Primeiro, os “leões” não podem andar à solta. Precisam ser colocados em jaulas. Não existe esta tal de “cultura do estupro”. Existem “estupradores” e eles “nunca” serão educados para viver em sociedade e respeitar suas vítimas potenciais.
Segundo, é preciso acabar com esta hipocrisia de dizer as vítimas não são culpadas. Certamente não serão culpadas no sentido jurídico da palavra. Mas é preciso fazê-las entender que certos comportamentos ativam esta violência sexual latente em pessoas com distúrbios psíquicos.
Em se tratando de crianças que ainda não tenham discernimento para entender estes perigos, caberá aos pais, por razões óbvias, cuidar de protegê-las.
Também, longe de sugerir que as mulheres usem burcas, até porque o estupro e a escravidão sexual são comuns entre muçulmanos.
No entanto, uma mulher despida em Copacabana, dificilmente será molestada, mas, com um generoso decote dentro do consultório de um estuprador, poderá estar apertando o gatilho que vai deflagrar um crime de violência sexual.
Não vamos sonhar pensando que um leão poderá ser educado para ser vegetariano.