22/03/2021
Assisti a uma live da sobre a retirada de medidas protetivas em caso de violência doméstica e fiquei muito impactada por um dos dados apresentados pela pesquisadora convidada: nos casos em que as mulheres têm filhos com o agressor, um dos principais motivos pelos quais elas pedem a retirada das medidas protetivas é a sobrecarga gerada pela própria situação.
Explicando: medidas protetivas de afastamento do lar, proibição de contato e proibição de aproximação, são muito comuns em casos de violência doméstica. E quando o casal tem filhos, o convívio das crianças com o pai costuma ser afetado de alguma forma. Acontece que, na maioria desses casos, a mãe, vítima, acaba se tornando a responsável por GERENCIAR esse convívio. Passa a caber a ela, exclusivamente, organizar a rotina das crianças e pedir a ajuda de amigos(as) e familiares para intermediar a relação com o ex.
O trabalho de cuidar, que sempre existiu, passa a ser ainda maior e mais difícil, e é exclusivo da mãe. Ao pai, agressor, cabe culpar a vítima por ter destruído a família e forçado as crianças a crescerem sem a presença paterna (*contém ironia).
É tão cansativo e desgastante que elas desistem – e, muitas vezes, se colocam em risco novamente. E não dá para culpá-las.