05/03/2026
DECLARAÇÃO PÚBLICA
Os iranianos não podem, nem devem, lançar a sua ira contra todos os cantos do planeta como se o mundo inteiro fosse palco das suas disputas geopolíticas.
Os seus adversários estão claramente identificados e geograficamente delimitados, assim como os seus interesses militares, civis e comerciais, que lhes são perfeitamente conhecidos.
Diante disso, impõe-se uma pergunta directa e inevitável: com que audácia se atrevem a atacar o petróleo angolano?
Angola é uma nação soberana e integra o histórico grupo dos países não alinhados. A nossa posição internacional é clara e inequívoca: repudiamos toda forma de agressão e recusamos envolver-nos em guerras que não provocámos nem alimentámos.
Por essa razão, torna-se ainda mais grave e incompreensível que o Irão tenha decidido atacar um activo angolano que, à luz do direito internacional, constitui território móvel da República de Angola.
O ataque ao nosso navio petroleiro representa um acto hostil, irresponsável e profundamente abusivo, que atinge não apenas um activo económico, mas também a soberania, a dignidade e os interesses estratégicos do povo angolano.
À luz da Organização das Nações Unidas e dos princípios consagrados no direito internacional, Angola reserva-se plenamente no direito de responder de forma firme, proporcional e inequívoca contra qualquer Estado que atente contra os seus interesses soberanos.
O Estado angolano, sob a liderança de Sua Excia General João Manuel Gonçalves Lourenço, tem demonstrado de forma consistente o seu compromisso com a paz, com o respeito pelo direito internacional e com a resolução diplomática de conflitos entre nações soberanas. Essa sempre foi, e continuará a ser, a posição de Angola no concerto das nações.
Contudo, a defesa da paz nunca significará aceitação da agressão.
Na qualidade de cidadão angolano — e, simbolicamente, coproprietário da riqueza nacional transportada naquela embarcação, juntamente com mais de 38 milhões de compatriotas — exigimos da República Islâmica do Irão explicações claras, transparentes e imediatas sobre as razões que motivaram este ataque injustificável, considerando o facto que o nosso petróleiro não estava nem a km do estreito de Ormuz e nem das milhas marítima do Irão.
Com que audácia, destroem nosso petróleiro e petróleo?
Angola não alberga bases militares estrangeiras, nem se presta a servir de plataforma para hostilidades contra qualquer Estado. Muito menos admite bases militares norte-americanas em seu território. Assim sendo, não existe qualquer fundamento político, estratégico ou militar que legitime tal agressão.
Importa ainda recordar que o Irão possui interesses económicos relevantes em Angola e que existe uma comunidade iraniana a operar e explorar diversos activos no país, em alguns casos em posições próximas do monopólio. Tal realidade deveria reforçar os laços de cooperação e respeito mútuo — jamais justificar hostilidades.
Assim, reiteramos com firmeza:
Quais foram, afinal, os motivos para o ataque à embarcação petrolífera angolana?
Apelamos à República Islâmica do Irão para que assuma a responsabilidade pelos seus actos, apresente um pedido formal de desculpas ao Estado angolano e comprometa-se a reparar integralmente os danos causados, tão logo cesse o conflito que atualmente trava com os seus adversários.
Angola é um país de paz.
Mas é também uma nação que não renuncia à defesa da sua soberania, da sua dignidade e dos seus interesses nacionais.
Por:
Augusto André Alfredo Afonso
Docente Universitário & Advogado